O coração
Doenças Vasculares
À medida que envelhecemos somos mais susceptíveis ao aparecimento de doenças nas nossas artérias. As paredes das artérias ficam mais espessas pela formação de colesterol e endurecem com o desenvolvimento de tecido cicatrizante. Este processo é designado por 'arteriosclerose'. A arteriosclerose tende a formar-se em pontos específicos. Pode ocorrer em qualquer local do sistema circulatório, mas certas artérias são mais vulneráveis, o que causa problemas porque restringe o fluxo sanguíneo e aumenta o risco de coágulos de sangue nesses vasos.
Factores de risco
Os diabéticos estão em risco acrescido de arteriosclerose se não mantiverem um bom controlo da glicémia. O tabaco, a tensão alta e os níveis de colesterol elevados aumentam esse risco. Infelizmente, a diabetes surge frequentemente ligada à tensão arterial e colesterol elevados. Assim, é essencial que verifique e controle todos estes factores de risco de aparecimento de doenças vasculares, uma vez que as doenças cardíacas e do sistema circulatório podem-se tornar muito graves.
Tensão arterial elevada (hipertensão)
O sangue precisa de ser mantido sob pressão para que flua através dos vasos, mas se esta é anormalmente alta aumenta o risco de desenvolvimento de anomalias nas artérias. Assim, quanto mais elevada é a sua pressão sanguínea, maior é o risco de doença cardíaca, doença vascular periférica, trombose, e ainda lesões renais. A tensão arterial tende a aumentar com idade. Infelizmente, os diabéticos, têm uma maior probabilidade de sofrer de tensão arterial elevada ou "hipertensão", e nestes é recomendado que a mesma seja inferior a 140/85.
Como sei se tenho hipertensão?
A maioria das pessoas com hipertensão não tem qualquer sintoma. O único modo de saber se tem a tensão arterial elevada, é a mesma ser medida. Considerando que a tensão varia de minuto a minuto, são necessárias várias leituras ao longo de algumas semanas para se estabelecer que realmente tem hipertensão.
Tratar a hipertensão
Pode controlar a sua tensão arterial se mantiver em forma, se perder peso caso precise, se diminuir o consumo de sal e álcool, uma vez que todos estes factores provocam o seu aumento. Se fuma, tente parar; fumar não só eleva a pressão sanguínea, como também aumenta o risco da doença cardíaca e circulatória. Muitos diabéticos necessitam tomar diariamente um medicamento para que a sua tensão volte a níveis normais. Existem diferentes tipos de medicamentos para a hipertensão conhecidos como 'anti-hipertensivos'. Se algum deles não for o mais adequado para o seu caso, normalmente existem alternativas. O objectivo é alcançar uma tensão arterial inferior a 140/85, mas qualquer diminuição reduzirá o risco de complicações.
Colesterol
É provável que já tenha ouvido o termo 'colesterol' relacionado com doença cardíaca. O colesterol é uma gordura transportada no sangue por pequenas partículas chamadas 'lipoproteínas'. Tem muitas funções essenciais no organismo. No entanto, se o nível de colesterol é muito elevado, o seu excesso pode depositar-se nas paredes das artérias contribuindo directamente para o processo de arteriosclerose. Existem diferentes tipos de lipoproteínas, no entanto, enquanto umas contribuem para o aparecimento de doença vascular outras trazem benefícios. O seu médico irá medir o colesterol total assim como os níveis das diferentes lipoproteínas para descobrir se está em risco. Infelizmente, a diabetes está frequentemente associada a níveis elevados de colesterol. O seu nutricionista poderá aconselhar uma dieta pobre em colesterol para que os níveis diminuam, mas se esta não for suficiente, precisará de uma terapia com medicamentos - anti-dislipidémicos.
Doença Coronária
Um grupo de artérias vulnerável à arteriosclerose são as coronárias. Estas fornecem sangue ao coração, e consequentemente oxigénio; ora, se o fluxo sanguíneo nestas artérias diminuir, o músculo cardíaco fica com escassez de oxigénio. Isto causa dor torácica, designada pelos médicos como 'angina'. A angina ocorre com maior probabilidade durante o exercício, uma vez que a carência de oxigénio é maior. Normalmente, o descanso alivia a dor. Uma angina crónica pode ser tratada com medicamentos ou cirurgia. Os diabéticos correm maior risco de sofrerem de doença coronária se não controlarem a glicémia, a pressão sanguínea e o colesterol, e muitos poderão eventualmente necessitar receber tratamento para a doença cardíaca. Estes casos deverão ser oreintados para uma consulta com um cardiologista - especialista em doenças do coração.
Enfarte (ataque cardíaco)
Por vezes, pode formar-se um coágulo numa coronária doente, bloqueando completamente a artéria. Os clínicos chamam a esta situação um 'enfarte do miocárdio' ou 'IM', mas é popularmente conhecido como um ataque cardíaco. Os sintomas incluem uma dor prolongada e sensação de compressão no tórax, suores, náusea, falta de ar e perda de consciência. É vital que as pessoas que se suspeite estarem a sofrer um ataque cardíaco, sejam transportadas para hospital. Com os cuidados médicos intensivos modernos, é de confiar que se chegarem de imediato ao hospital, a maioria das pessoas sobreviva a um enfarte. No entanto, após esta ocorrência irão necessitar de uma medicação para auxiliar o coração debilitado.
Doença vascular cerebral
A arteriosclerose pode atingir outras artérias além das coronárias. Se as que irrigam o cérebro são afectadas, pode haver uma diminuição do aporte de oxigénio ao cérebro, que resulta em desmaios ou mesmo em lesões permanentes - trombose. A trombose é comum em pessoas com tensão arterial elevada. As consequências de uma trombose são muito variáveis, e dependem das áreas do cérebro afectadas. Podem ser atingidas funções do organismo completamente diferentes e a gravidade dos sintomas varia grandemente. Com a reabilitação, muitas pessoas recuperam as funções que perderam. Infelizmente, algumas ficam permanentemente incapacitadas, podendo algumas tromboses ser mesmo fatais.
Doença vascular periférica
A arteriosclerose também pode afectar as grandes artérias que irrigam os músculos dos membros. Se o aporte de sangue ao músculo da barriga da perna for insuficiente, pode tornar-se doloroso caminhar longas distâncias, e a pessoa ter que parar continuamente para recuperar. Os médicos chamam a esta situação "claudicação intermitente". Por vezes, a toma de medicamentos ou um programa de exercício planeado podem ajudar. Infelizmente, em algumas situações o membro não recebe sangue suficiente para sobreviver e é necessária a sua amputação. Este risco pode diminuir, radicalmente, com o controlo rigoroso da sua glicémia.
Os pequenos vasos sanguíneos
As complicações descritas acima estão relacionadas com as grandes artérias. Porém, se tem diabetes, vasos sanguíneos mais pequenos também podem sofrer danos, que originam lesões nos rins, nervos, olhos e dentes/gengivas.